Certa noite flagrei-me contando estrelas, e na 14ª, percebi algo estranho, tive a impressão de que seu brilho aumentava gradativamente, parecia estar vindo ao meu encontro, parei de contá-las, obviamente.
Foquei apenas nesta, era a mais bela de todas, com um brilho prateado inigualável, irresistível, e a cada segundo, parecia estar mais próxima de mim.
Então fechei os olhos por alguns instantes, senti algo diferente, que jamais havia sentido, não era amor, ódio, paixão ou compaixão, não encontrei substantivos, concreto ou abstrato, para designá-lo, era uma incógnita, porém, bom.
Quando abri os olhos, só avistei o clarão, como se ela estivesse diante de mim, penetrando em meus olhos. Fechei-os novamente e mesmo com as pálpebras cerradas, continuava a ver o formoso e prateado clarão.
Ao abrir os olhos novamente, estava flutuando no céu, em meio às outras estrelas, e o brilho que antes quase me cegava, agora fazia parte de mim.
Neste momento, descobri que cada um de nós, tem uma estrela no céu, não sabemos exatamente qual, mas elas sabem a quem pertencem, e por acaso, eu achei a minha. Por apreciar sua beleza e magnitude, ela me fez uma visita e levou-me a um passeio no céu, disse-me coisas que só estrelas sabem, fez-me sorrir e chorar, mostrando-me o meu passado, fez-me refletir com o presente, e quando esperava que me mostrasse o futuro... Disse:
“O futuro, cabe a você descobrir, estarei sempre aqui de cima te velando, te guiando, porém, não posso tomar decisões por ti.”
Não fiquei triste, pois o que ela disse está plenamente correto, o futuro cabe a cada um de nós traçarmos.
Ela me permitiu desvendar apenas um segredo. Quando olhamos para o céu, e o vemos estrelado e reluzente, é por que as estrelas estão felizes e festejando, pois não há nuvens cobrindo-as, portanto podem velar e guiar seus correspondentes na terra. E quando o céu está nublado, elas choram, por não poderem nos ver, por isso chove, a chuva são as lágrimas das estrelas.
Ela me apresentou a algumas outras estrelas, algumas muito reluzentes, outras com um brilho fosco, outras até totalmente opacas, sem brilho algum, só o meteorito. A uma destas perguntei:
Pra onde foi tua resplandecência?
“Nosso brilho depende de atos cometidos por vocês, bons atos, mais brilho, maus atos, menos brilho, até a morte.
Você já está morta?
Ainda não, só morrerei definitivamente, quando meu correspondente também morrer e assim virarei pó.
Minha estrela me puxou, percebeu o meu princípio de tristeza e me tirou de perto das estrelas solitárias.
Acordei pela manhã, lembrado desse sonho, pensei nela o dia inteiro, e ao anoitecer, olhei na mesma direção em que a encontrei no dia anterior e não a vi, foi realmente um sonho – pensei – deitei-me e fechei-me os olhos e dentro de alguns instantes, o clarão retornou e novamente tudo acontecia como na noite anterior, porém, em lugares diferentes.
Desde então, todas as noites, minha estrela vem ao meu encontro e leva-me a passear.
By wagnerjava





4 comentários:
Vi uma estrela tão alta,
vi uma estrela tão fria!
vi uma estrela luzindo
na minha vida vazia.
era uma estrela tão alta
era uma estrela tão fria!
era uma estrela sozinha
luzindo no fim do dia.
por que da sua distãncia
para a minha companhia
não baixava aquela estrela?
por que tão alta luzia?
e ouvia-a na sombra funda
responder que assim fazia
para dar uma esperança
mais triste no fim do meu dia.
(Manuel Bandeira)
Quando comecei a ler o seu texto lembrei-me deste poema na hora. Sempre gostei. Procuramos as estrelas, muitas vezes, quando estamos sós, mas não sós de solidão, sós por opção. Para viagens exclusivas para dentro de nós mesmos! Pra mim, estrelas sempre foram o que eu buscava ser. É como falar com o meu inconsciente. Sentir-me capaz. E só de pensar que muitas já não existem, me faz compará-las a nós mesmos, à nossas vidas. Pois vai-se o corpo (estrela), mas fica o que nós fizemos de "bom, de justo, de melhor para o mundo"; as ideias e ideais, os sorrisos, as alegrias, enfim, os sentimento mais puros e singelos e humanos que desse modo, personificam o brilho das estrelas. Ótimo texto amigo! Melhor do muuundoooo!!!
da amiga, Menara.
Não sabia que você era provido de tanto talento! Meus parabens! ^^
Não sei se pelo nome irá se lembrar de mim...rsrs
Temos uma amiga em comum: Jô de Almeida...
beijos e até a proxima!
Luana
ei...tbm fiz um flog...que parece mais um circo...mas está em fase de construção ainda
To visitando pela primeira vez o seu espaço aqui e de cara já fiquei surpreso pelo nível... ÓTIMO texto. Parabéns.
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